60 erros de português que tiram a credibilidade de qualquer texto

Não adianta nada saber tudo sobre o tema da sua pesquisa se você não consegue se expressar com clareza, se não é capaz de se fazer entender perfeitamente. Por isso, o bom uso da língua é o maior aliado de um texto valioso.

E uma coisa é fato: na língua escrita, a norma culta é a variante de prestígio. Na prática, isso significa que um texto bem escrito é valorizado, ao passo que um texto cheio de errinhos e inconsistências pode fazer o leitor torcer o nariz e desconfiar das competências do autor.

Para ajudar você a evitar essa situação, elencamos neste post 60 erros de português capazes de tirar a credibilidade de qualquer texto. Continue lendo e aprenda a deixar seus conteúdos impecáveis!

Erros ortográficos

Os erros ortográficos são aqueles que não respeitam a maneira correta de escrever as palavras. Podem ser considerados problemas de ortografia:

1. Erros de digitação

Eles acontecem quanto você troca uma letrinha de lugar, ou digita um caractere a mais ou a menos. Percebeu algum erro assim na frase anterior? Foi proposital, para você entender como a troca de uma letra parece inofensiva, mas pode quebrar o fluxo de raciocínio e confundir quem está lendo.

“Quanto” e “quando” são duas palavras em que isso ocorre bastante, assim como construções que podem terminar tanto com s quanto com r: internar / internas, por exemplo.

2. Confusão entre fonemas parecidos

Existem mais sons na língua do que sinais gráficos para representá-los. Assim, o mesmo fonema pode ser grafado usando várias letras diferentes. É o caso do som de s em “sítio” e “caça”, de z em “casa” e “azeite”, de j em “jiboia” e em “viagem”.

Essa semelhança entre fonemas é o que nos faz escrever “traz” (verbo) em vez de “trás” (preposição), ou formar frases como “Maria não quiz saber do livro de André”.

A boa notícia é que esses equívocos são fáceis de solucionar: basta ter um dicionário por perto (pode ser um on-line, claro) e realizar uma revisão atenta no final. Você pode pedir para alguém ajudar ou revisar sozinho.

Nesse último caso, espere um tempinho após escrever o texto, para “esfriar a cabeça” antes da releitura. Outra dica importantíssima é sempre passar o texto por um corretor automático.

A acentuação também se encaixa na categoria de ortografia, mas, como são muitos os erros desse tipo, teremos um tópico apenas para eles. Confira a seguir:

Erros de acentuação

Crase

A rigor, a “crase” é uma junção de letras idênticas. Na língua portuguesa, a principal forma de crase é a ligação da preposição a com a letra a (geralmente um artigo definido), simbolizada por um acento grave que indica essa união (por isso este tópico se encaixa nos erros de acentuação).

Veja abaixo alguns dos equívocos de crase mais cometidos:

3. Crase antes de palavras masculinas

Como mencionado acima, a principal ocorrência de crase no Português é a junção da preposição a com o artigo definido a, usado apenas antes de palavras femininas. Como as palavras masculinas são precedidas do artigo o, a junção com a preposição resulta em ao. Por isso falamos:

“Eles vão à empresa e depois ao evento de marketing”

São incorretos, portanto,  os usos “à rigor” e “à respeito”, por exemplo. Nesses casos, apenas a preposição é utilizada: “a rigor” e “a respeito”.

Mas, como em toda regra, há uma exceção: quando a expressão “à moda de” está escondida na sentença, podemos dizer, por exemplo: “bife à Osvaldo Aranha” ou “cantou a canção à Roberto Carlos”.

Nesses casos, o acento indicativo de crase é um grande aliado da desambiguação: se dissemos “cantou a canção a Roberto Carlos”, quer dizer que a pessoa cantou para o Rei, e não imitando-o.

4. Crase antes de demonstrativos

Outra exceção para a proibição do acento indicativo de crase com palavras masculinas é diante do demonstrativo “aquele”. Isso acontece porque a preposição a se junta à primeira letra do pronome, que é idêntica. Dessa forma, quando temos verbos ou expressões que exigem a preposição a + “aquele”, podemos dizer:

“o post fez referência àquele curso de marketing de conteúdo”.

Entretanto, alguns demonstrativos não começam com a letra a nem são acompanhados do artigo “a”. Por isso é errado utilizar a crase em frases como: “o post fez referência à essa cartilha”. Nesse caso, usamos apenas a preposição: “…fez referência a essa cartilha”.

5. Crase antes de palavras femininas no plural

Ok, já sabemos que a crase ocorre quando há junção da preposição a com o artigo a. Mas e quando a palavra seguinte está no plural?

Nesses casos, o correto é fazer a junção com o artigo no plural, naturalmente: a + as = às. Outra opção é utilizar somente a preposição. Mas é importante notar que essa escolha faz diferença no sentido da frase. Observe:

Quando dizemos “o post faz referência a cartilhas de segurança”, podem ser várias cartilhas, indeterminadas. Quando dizemos “o post faz referência às cartilhas de segurança”, são cartilhas específicas, que devem ser mencionadas em algum outro lugar do texto. As duas opções estão corretas, dependendo do sentido que você quer dar à frase.

Mas é incorreto dizer “o post faz referências à cartilhas”, porque, como não há o artigo no plural, não há com o que a preposição se juntar. Isso impede a crase (junção) e o uso do acento grave.

6. Crase antes de verbos

A lógica se aplica aqui mais uma vez: a crase (junção) só ocorre quando há uma letra idêntica imediatamente após a preposição. Assim como os pronomes demonstrativos, os verbos não admitem artigo (pois artigos são acompanhantes de substantivos).

Dessa forma, não há com o que a preposição se juntar. É incorreto, portanto, falar “à partir” ou “à combinar”: usamos apenas a preposição nesses casos: “a partir” e “a combinar”.

É bom lembrar que em algumas situações a crase pode até ser facultativa, mas ela é muito útil para preservar o sentido correto da frase.

Por exemplo, há muito menos perigo em “receber a bala” do que em “receber à bala” — a não ser, é claro, que a bala da primeira sentença seja oferecida por um estranho em uma van!

Novo Acordo Ortográfico

O novo Acordo Ortográfico trouxe uma série de modificações para a língua, como a inserção de algumas letras no alfabeto (“k”, “w” e “y”) e a extinção do trema em palavras como linguiça, pinguim e cinquenta. Mas e quanto à acentuação, o que mudou?

7. Acentuação de paroxítonas

Com relação ao acento agudo, existem agora duas condições que a palavra precisa cumprir ao mesmo tempo para não ser mais acentuada, segundo o novo Acordo Ortográfico. São elas:

  • A palavra precisa ser paroxítona, ou seja, ter o acento tônico na penúltima sílaba;
  • Essa sílaba tônica deve apresentar os ditongos “ei” ou “oi”.

Algumas das principais palavras que perderam o acento são: ideia, europeia, joia, assembleia, estreia, plateia, geleia e heroico.

Mas por que “heroico” não tem mais acento e “herói” continua tendo? Porque “herói” só cumpre uma das condições: tem o ditongo aberto “oi” na sílaba tônica, mas é uma oxítona (a sílaba tônica é a última) e não paroxítona.

É mais simples do que parece, certo? De qualquer forma, tenha sempre nos favoritos um dicionário online para tirar a dúvida.

8. Voo / Vôo

Não são mais acentuadas com circunflexo as palavras que têm a vogal “o” dobrada. Portanto, não escrevemos mais “vôo”, “enjôo” e “perdôo”, mas “voo”, “enjoo” e “perdoo”.

9. Veem / Vêem

Da mesma forma, também não levam mais acento as palavras com “e” dobrado, como veem, creem, leem, deem. Mas cuidado para não confundir “veem” com “vêm”! Vamos falar sobre isso no tópico sobre concordância.

Acento diferencial

Além de modificar a acentuação das paroxítonas, o Acordo Ortográfico extinguiu alguns acentos diferenciais que, na prática, ninguém utilizava mais. Um exemplo é a palavra “pára” (de “parar”), que levava o acento para fazer contraste com a preposição “para”.

Entretanto, muitos desses acentos diferenciais continuam existindo e não podem ser negligenciados, justamente porque têm a função de distinguir uma palavra de outra quase idêntica. Veja alguns:

10. Influência /  influencia

“Influência”, com acento, é o substantivo. “Influencia”, sem acento, é a conjugação do verbo influenciar.

11. Incômodo / incomodo

Da mesma forma, “incômodo” é substantivo” e “incomodo” é conjugação do verbo.

12. Dívida / divida

“Dívida”, com acento, é um substantivo que significa débito, algo que se deve a alguém. “Divida”, por sua vez, é imperativo ou subjuntivo do verbo “dividir”.

13. Fôrma / forma (facultativo)

É facultativo o acento que ressalta a diferença entre “molde” (fôrma) e a configuração ou maneira de fazer algo (forma).

Apesar de ser de uso opcional, é recomendável fazer essa distinção quando não for possível desfazer a ambiguidade apenas pelo contexto.

14. Pôde / pode

Usamos o acento para diferenciar as formas no passado e no presente do verbo poder: “hoje ele pode gerenciar as redes sociais, ontem ele não pôde”.

15. Pôr / por

O circunflexo também é utilizado para fazer distinção entre a preposição “por” e o verbo “pôr” (colocar, dispor).

16. Papeis / papéis

Confundidas pelas novas regras de acentuação do Acordo Ortográfico, muitas pessoas escrevem “papeis” quando querem dizer “folha” ou designar a função de alguém. Como os corretores automáticos não acusam erro, o texto segue com “papeis” sem acento.

Acontece que os corretores também se confundem: “papeis” é o subjuntivo conjugado em vós do verbo “papar”. Nos sentidos mais comuns, “papéis” continua com o acento firme e forte: “Maíra entregou os papéis ao advogado” ou “o diretor distribuiu os papéis aos atores”.

Apesar de serem simples erros de acentuação, esses equívocos acabam provocando uma confusão semântica, ou seja, uma incerteza sobre o que a frase significa, o que atrapalha o leitor. Mais abaixo falarei um pouco mais desse tipo de erro e suas consequências, no tópico chamado “Parônimos”. Continue acompanhando!

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Erros de pontuação

17. Vírgula

Todos nós aprendemos na escola que a vírgula é uma pausa para respirar. Pode esquecer essa regra! Quando pensamos dessa maneira, podemos ser levados aos erros mais condenáveis do uso de vírgula, inclusive separar o sujeito do predicado. Observe:

“Uma dica importante é, pesquise outros blogs sobre o assunto.”

Apesar de haver essa pausa na língua falada, a frase acima está pontuada de forma incorreta. O melhor seria utilizar dois-pontos ou modificar o verbo:

“Uma dica importante é pesquisar outros blogs…” ou “Uma dica importante é: pesquise outros blogs…”.

Na verdade, a vírgula é uma pausa no raciocínio, e não no ritmo. Utilizamos a vírgula — e a pontuação em geral — para separar “blocos de sentido” no texto e organizar o fluxo de pensamento, facilitando a vida de quem precisa interpretar o que está escrito.

Por exemplo, você viu o que acabei de fazer com o travessão? Aprenda no tópico abaixo como utilizá-lo corretamente e com eficiência!

Quanto à vírgula, existem muitas regras (e exceções) que não teremos tempo de esmiuçar aqui, mas eu indico este Guia completo de como usar a Vírgula que, com certeza, vai ajudar você a compreender melhor essa ferramenta.

Travessão

O uso do travessão é, em geral, comparável ao uso de parênteses. Também utilizamos esses “tracinhos” para isolar uma informação “acessória” na frase.

A grande diferença em comparação aos parênteses é que o travessão isola dando destaque, ao passo que os parênteses colocam a informação em “segundo plano”. Portanto, quando você quiser enfatizar uma informação, o travessão é a melhor estratégia.

Mas qual é o principal erro que as pessoas cometem ao usar esse sinal de pontuação? É confundi-lo com dois outros “tracinhos” com tamanhos e funções diferentes. Esses outros tracinhos são o hífen e a meia-risca, que não são sinais de pontuação, são sinais de junção de palavras.

Entenda melhor:

18. Confundir travessão e meia-risca

Antes do Acordo Ortográfico, a meia-risca era utilizada para indicar junções de palavras que não formavam um terceiro significado, como “custo–benefício”, “relação mãe–filha” e “ponte Rio–Niterói”. Atualmente, o correto é utilizar o hífen nessas situações.

Alguns modelos de publicação utilizam a meia-risca no lugar de travessão, uma vez que ela é menor, mais discreta e “elegante”. Mas, originalmente, são coisas diferentes.

19. Confundir travessão e hífen

Pior que trocar travessão por meia-risca é trocá-lo por hífen, pois o hífen nem sequer entra na categoria de pontuação. Suas duas funções principais são a formação de palavras por composição e por derivação.

Quando juntamos dois termos que funcionam “livremente” na língua para formar um terceiro significado, é composição: guardar + chuva = guarda-chuva. Quando utilizamos uma forma livre e uma forma “presa” (sufixos e prefixos, por exemplo), chamamos de formação por derivação: micro-organismo.

Como dissemos acima, o travessão tem função parecida com os parênteses. Bem diferente do hífen, não é mesmo?

Para que você não erre mais, observe quais são os atalhos de teclado utilizados para cada um:

  • Hífen: alt+045 –
  • Meia-risca: alt+0150 –
  • Travessão: alt+0151 —

Se você utiliza um notebook sem o teclado numérico auxiliar, o atalho não vai funcionar. Nesse caso, copie e cole o travessão (—) em uma sticky note ou bloco de notas e use sempre que precisar.

20. Uso de exclamação

Esse tópico não trata de um erro propriamente dito, mas de um uso excessivo. Você sabia que, ao utilizar a exclamação, o efeito que você dá ao texto é de alguém gritando?

Você pode usar esse sinal gráfico quando precisar ser mais efusivo — ou assertivo 😉 — ou mesmo quando quiser enfatizar ou dar importância a uma informação. A exclamação serve para chamar a atenção do leitor, e tem resultado um pouco parecido com o caps lock.

NÃO É AGRADÁVEL LER TEXTOS ASSIM, CERTO?!?! ENTÃO USE A EXCLAMAÇÃO COM MODERAÇÃO!!!!

Basta usar o sinal uma vez e você terá o efeito de ênfase que procura! E tente não repeti-lo muitas vezes durante o mesmo texto.

Etc.

“Etc.” é uma abreviação da expressão latina “et cetera”, que significa “e outros”, “e assim por diante”. Confira alguns erros relacionados a ela:

21. Uso de vírgula antes de etc.

Muitos gramáticos defendem que, por não usarmos vírgula antes de “e” em enumerações,  a construção “KPIsmétricasautomação, etc.” estaria incorreta por ser equivalente a “…métricas, e outros”. Alguns estudiosos consideram essa regra um preciosismo.

22. Uso de “e” antes de etc.

Também há discussão sobre o uso da conjunção coordenativa “e” antes de “etc.”, por ser equivalente a “…métricas e e outros”. Não há necessidade de repetir, certo?

23. Falta de ponto de abreviatura após etc.

As regras acima são discutíveis e muitos estudiosos da língua aceitam que elas sejam quebradas. Mas uma norma é unânime: o “etc.” precisa sempre estar acompanhado do ponto de abreviatura.

Pode parecer estranho, mas estão corretas construções do tipo “etc.,” (com vírgula após o ponto) e “etc.?” (com interrogação após o ponto).

Mas e quando o “etc.” vem antes do ponto final, escrevemos “etc..”? Não, nesse caso o ponto acumula duas funções: a de indicar abreviatura e a de terminar a frase.

Erros de semântica

Parônimos

Você conhece os parônimos? Chamamos assim aquelas palavras que possuem grafias e/ou sonoridades muito semelhantes. Às vezes, são foneticamente idênticas!

Como, por força do hábito, frequentemente usamos a língua falada como base para a escrita, essa semelhança nos confunde e tendemos a trocar um parônimo pelo outro.

Por exemplo, podemos escrever “concertar” em vez de “consertar” em uma frase do tipo “o link quebrou, precisamos consertá-lo”.

Você deve estar se perguntando por que esse é um erro de semântica, e não de ortografia.

É simples: a grafia de “concertar” está correta, a palavra existe dessa forma na língua, dicionarizada. O problema é que o termo foi utilizado fora de contexto, uma vez que possui significado bem diferente do pretendido. Esse é um equívoco muito corriqueiro que interfere na clareza do seu texto e, consequentemente, na sua relevância.

Trouxemos aqui alguns parônimos comuns para você não fazer mais confusão!

24. Acerto / asserto

“Acerto” significa “ato de acertar” e “asserto” significa uma “alegação que se julga verdadeira”. Esse parônimo deu origem a um termo muito utilizado fora de contexto: o conceito de “assertivo”.

No meu trabalho como revisora de textos, leio ao menos uma vez por dia alguém  usando “assertivo” no sentido de “eficiente”, “acertado”, “eficaz”, “correto”. Mas, na verdade, ser assertivo significa ser taxativo, categórico, dizer as coisas com muita firmeza.

É julgar-se correto, mas não necessariamente estar correto. Tem até uma acepção um pouco pejorativa em certos casos. Portanto, tome bastante cuidado com o uso equivocado desse termo.

25. Sessão / seção / cessão

“Sessão” é um período de tempo, “seção” é uma divisão, a repartição de algo. Sendo assim, você vai a uma sessão de cinema depois de passear pela seção infantil de uma loja.

“Cessão”, por sua vez, é o ato de ceder: “O marido deu à esposa a cessão do direito à residência”.

26. Hesitar / exitar

Esse é um erro que acontece bastante. Fique atento: “hesitar” significa titubear, vacilar, duvidar. “Exitar”, por sua vez, significa ter êxito, ser bem-sucedido.

27. Se não / senão

“Senão” é equivalente a “exceto”, “a não ser”: “ele não fica em casa senão quando a mulher está lá”

“Se não” é uma conjunção condicional, equivalente a “caso não”, “quando não”: “teremos que fechar as portas se não chegarem com os ingredientes”.

28. Saudar / saldar

O primeiro, com “u”, significa cumprimentar, e o segundo, com “l”, significa quitar, pagar uma dívida.

29. Descriminar / discriminar

Escrita com “e”, a palavra significa tirar a culpa, absolver alguém de um crime. Com “i”, significa tratar de modo desigual.

30. Eminente / iminente

Quando começado com “e”, o termo significa elevado, superior, excelente. Quando começado com “i”, quer dizer imediato, próximo, que está prestes a acontecer.

31. Inserto / incerto

Apesar de parecer incorreta, a palavra “inserto” existe e quer dizer algo que se inseriu, que foi introduzido. O termo “incerto”, mais comum, significa algo que não está correto ou que é duvidoso.

32. Esperto / experto

“Esperto” é alguém inteligente, astuto, sagaz. “Experto” é o especialista em algo, o “expert”, o perito.

33. Cheque / xeque

Com “ch”, a palavra significa o documento monetário, e com “x” representa um movimento de ataque no jogo de xadrez.

Por extensão, a expressão “colocar em xeque” é escrita com “x”, pois quer dizer colocar algo à prova ou em situação delicada.

34. Caçar / cassar

Enquanto “caçar” significa perseguir, “cassar” quer dizer anular. Portanto, quando os jornais dizem que um político foi cassado, a escrita é com “ss” e significa que ele teve seu mandato (e não “mandado”) revogado e invalidado, e não que correram atrás dele com o objetivo de servi-lo no jantar.

35. Deferir / diferir

“Deferir” significa ser a favor, conceder um pedido. “Diferir” quer dizer divergir, ser diferente.

36. Estremo / extremo

Com “s”, é uma conjugação de “estremar”, que significa dividir, separar. Com “x”, quer dizer “situado na extremidade”.

37. Senso / censo

Quando escrito com “s”, o termo quer dizer “juízo”, “pensamento”, “raciocínio”. Quando escrito com “c”, quer dizer recenseamento — os estudos estatísticos que colhem informações sobre uma população, por exemplo.

Expressões ou locuções parecidas

Para quem busca clareza e relevância em um texto, é imprescindível fazer uso correto de determinadas expressões ou locuções. Cada uma delas tem um significado específico, e usar uma no lugar da outra pode ser fatal para a compreensão do seu leitor. Observe algumas abaixo:

38. Ir de encontro a / ir ao encontro de

A confusão entre essas duas é bastante comum e muito grave, uma vez que uma significa justamente o oposto da outra.

“Ir ao encontro de” é ser a favor de algo, concordar com algo, ao passo que “ir de encontro a” quer dizer colidir, entrar em conflito, ser contra. Imagine só o prejuízo de dizer o contrário do que se pretende!

39. À medida que / Na medida em que

“À medida que” significa “à proporção que”, é utilizada quando queremos dar ideia de algo que acontece paulatinamente, ao mesmo tempo em que outra coisa ocorre.

“Na medida em que”, apesar de ser condenada por alguns gramáticos, é uma expressão muito utilizada que significa “uma vez que” e tem efeito de causalidade.

A forma “à medida em que” não existe.

40. Ao invés de / em vez de

A expressão “ao invés de”, a rigor, só pode ser usada com elementos que são o inverso um do outro. Não podemos dizer, por exemplo, que “ao invés de pagar as contas ela gastou o dinheiro em roupas”, porque pagar contas e gastar em roupas não são coisas opostas. Nesse caso, o correto é usar “em vez de” ou “no lugar de”.

41. A princípio / em princípio

“A princípio” quer dizer “no começo”, “inicialmente”. “Em princípio” significa “em tese”, “em teoria”.

42. Erros por redundância

A clareza e a relevância de um texto dependem diretamente de sua objetividade. Por isso, são condenáveis as construções redundantes, ou seja, aquelas que repetem informações desnecessariamente.

Os pleonasmos são o maior exemplo de redundância que se expressa “materialmente” na língua, e devem ser evitados. Claro que os mais famosos, como “subir para cima” e “sair para fora”, são facilmente identificados — e rejeitados. Mas existem algumas redundâncias mais sutis, que acabamos utilizando sem perceber. Veja algumas:

  • “outra alternativa”;
  • “pequenos detalhes”
  • “como, por exemplo”;
  • “metades iguais”;
  • “elo de ligação”;
  • “regra geral”;
  • “acabamento final”;
  • “há alguns anos atrás”.

O melhor é evitar essas construções, pois, quanto menos rodeios um texto faz, mais relevante ele se torna.

 

Erros de concordância

43. Concordância com “a maioria”

Em construções com expressões como “grande parte”, “maioria”, “maior parte” etc., a norma culta prefere que a concordância seja feita com o núcleo do sujeito — função exercida pela expressão, e não pelo substantivo que a segue.

Entretanto, alguns gramáticos aceitam a concordância com o substantivo, especialmente quando a intenção do autor é dar ênfase a ele.

44. Ter e seus derivados

No singular da terceira pessoa, o verbo “ter” se conjuga “ele tem”, certo? Mas quando vai para a terceira pessoa do plural, apresenta um acento circunflexo que o diferencia da forma no singular: “eles têm”. Parece besteira, mas essa diferença é bastante útil à clareza do texto, especialmente em sentenças longas, nas quais o sujeito pode ficar mais distante do verbo.

Isso acontece também com os verbos derivados de “ter”, como “manter”, “deter” e “conter”: “ele mantém, eles mantêm”; “ele detém, eles detêm”; “ele contém, eles contêm”.

Logo ali em cima eu chamei atenção para a confusão entre “veem” e “vêm”, você se lembra? É porque com o verbo “vir” acontece a mesma coisa: no singular é “ele vem” e no plural é “eles vêm”. Cuidado para não errar!

Erros de regência

A regência de um verbo diz respeito aos complementos que ele exige.

Os chamados “intransitivos” são aqueles que não precisam de mais nada para fazer sentido. Podemos dizer apenas “Bárbara dormiu”, por exemplo.

Os “transitivos” exigem um acompanhamento, um “objeto”. Se o objeto for precedido de preposição, chamamos o verbo de “transitivo indireto”. Se não exigir preposição, chamamos de “transitivo direto”.

Observe abaixo alguns verbos cujas regências a gente sempre confunde:

45. Verbo atentar

É bastante comum vermos a construção “atentar-se”, no sentido de “estar atento”. Entretanto, essa forma pronominal não é aceita pela gramática tradicional.

Segundo a norma culta, o verbo pode reger as preposições “a”, “em” ou “para”.

46. Verbo obedecer

“Obedecer” é um verbo transitivo indireto, o que significa que ele exige a preposição “a”: “todos devem obedecer a seus pais”. O mesmo ocorre com “desobedecer”.

47. Verbo responder

Quando significa “dar resposta”, o verbo exige um objeto indireto com preposição “a”: “o professor respondeu à indagação”.

48. Verbo atender

Se o complemento do verbo for uma pessoa, utilizamos a forma direta, sem preposição: “o médico atendeu o paciente”. Quando o complemento for outra coisa, usamos a forma indireta, com preposição “a”: “a mãe atendeu aos pedidos dos filhos”.

49. Verbo assistir

Existem dois sentidos muito comuns para esse verbo.

O primeiro sentido é “presenciar”, “estar diante de”. Nesse caso, o verbo exige a preposição “a”: “assistimos ao filme, à novela”.

O segundo sentido comum é de “ajudar”, “prestar assistência”. Nesse caso, é preferível não usar a preposição: “o médico assistiu o paciente”.

Outros erros

50. Uso dos “porquês”

Você baseia seu uso dos “porquês” naquela regrinha que aprendemos na escola, que diz que “por que” e “por quê” são utilizados para perguntas, e “porque” e “porquê” são usados para respostas? Saiba então que essa afirmação está incorreta.

O uso dos “porquês” não é definido pela natureza da frase, mas pela função que eles exercem. Uma boa dica é tentar substituí-los por expressões ou locuções com funções parecidas. Observe:

Por que

Se você consegue substituir por “por qual motivo” ou “por qual razão”, o uso correto é “por que”, separado e sem acento. Observe:

“Desejo saber por que você voltou tão tarde para casa.”

“Por que você comprou este casaco?”

Porque

Se você consegue substituir por “pois”, “já que” ou “uma vez que”, o uso correto é “porque”. Observe:

“Vou ao supermercado porque não temos mais frutas.”

“Você veio até aqui porque não conseguiu telefonar?”

Por quê

É sinônimo de “por qual motivo”, exatamente igual ao “por que”, mas é usado somente no final da frase — imediatamente antes do sinal gráfico de pontuação. Veja:

“Estudei bastante ontem à noite. Sabe por quê?”

“Será deselegante se você perguntar novamente por quê!”

Porquê

É um substantivo, sinônimo de “motivo” / “causa” / “razão”, o que significa que sempre virá acompanhado de determinante (geralmente um artigo).

“Não consigo entender o porquê de sua ausência.”

“Você não vai à festa? Pode me dizer ao menos um porquê?”

Viu que todos os porquês podem ser utilizados em qualquer tipo de frase, independentemente de serem interrogações ou afirmações? Use a dica de substituir: ela é muito eficiente para descobrir qual é o “porquê” ideal.

51. Demonstrativos

O uso de demonstrativos é bastante complexo, uma vez que eles podem ter muitas funções diferentes: podem localizar um referente no tempo, no espaço, no texto ou no discurso. Vamos dar foco aqui ao uso mais comum à escrita: a retomada de algo que já foi dito ou a anunciação de algo que ainda será introduzido.

Ou seja, existem dois tipos de construções: as anafóricas e as catafóricas. As primeiras retomam um elemento que já foi mencionado e utilizam “esse” ou “essa”. As últimas anunciam um elemento que ainda será mencionado e utilizam “este” ou esta”. Simples, não é?

A dica da substituição também funciona muito bem aqui. Se você consegue trocar o demonstrativo por “o seguinte”, é uma construção catafórica: use o “este”! Se você consegue trocar por “tal”, é uma construção anafórica: use o “esse”!

“Confira as seguintes dicas de como revisar melhor: …” >>> “Confira estas dicas de como revisar melhor: …”

“Conheça seu público-alvo. Tal afirmação parece ser bem clichê…” >>> “Conheça seu público-alvo. Essa afirmação parece ser bem clichê…”

Dica: sempre que estiver se referindo ao seu próprio texto, o que você está escrevendo, o correto é utilizar “este” — que demonstra o lugar de fala do autor. Então: “este conteúdo”, “neste post”, “este texto”.

52. “Em anexo”

Apesar de muito utilizada, essa expressão é condenada pelos gramáticos mais puristas. Para eles, o correto é utilizar “anexo” como um adjetivo, que exige a concordância com o substantivo. Portanto, utilizamos “a foto segue anexa ao e-mail” ou “os documentos anexos trazem as informações necessárias”.

53. A nível / ao nível de

Nenhuma das duas locuções é aceita pelos gramáticos. São consideradas modismo. Se pensarmos bem, são expressões que não servem para nada. Dizer “pesquisa municipal” é mais eficiente e econômico que dizer “pesquisa a nível municipal”, por exemplo.

O que existe é a expressão “ao nível de”, que significa “à mesma altura”. Podemos dizer que algo estava “ao nível do mar”, por exemplo.

54. “O mesmo”

Apesar de ser um clássico das plaquinhas de elevador, não é recomendado utilizar “o mesmo” para substituir pronomes ou substantivos. Dependendo da frase, você pode trocá-los por outro pronome ou simplesmente reformular a frase para evitar a repetição.

Por exemplo: “antes de entrar no elevador, verifique se ele se encontra neste andar” ou “antes de entrar, verifique se o elevador se encontra neste andar”.

55. “Melhor” / “mais bem”

Esse é um fenômeno de hipercorreção: por acreditarmos que “mais bem” deve ser sempre transformado em “melhor”, criamos construções como: “as tarefas precisam ser melhor avaliadas”.

Acontece que “melhor” é um advérbio, ou seja, sua função é modificar verbos, e nessa frase o que está sendo modificado é a expressão com particípio “bem avaliadas”. Portanto, por mais que pareça feio ou errado, “mais bem avaliadas” está correto.

Se fosse “precisamos avaliar melhor as tarefas”, aí sim o advérbio caberia, pois modificaria o verbo “avaliar”.

56. Diferença entre “onde” e “em que”

“Onde” é um advérbio de lugar, que dá ideia de localidade física. Se não houver essa ideia, o correto é utilizar “em que”, “no qual”, “na qual”.

57. Diferença entre “onde” e “aonde”

Usamos “aonde” apenas com verbos que indicam movimento, como ir, chegar, retornar, voltar, que pedem alguma preposição (“a” ou “para”). Quando a preposição é “a”, ela se junta ao “onde” e vira “aonde”. Em todos os outros casos, para dar ideia de localidade, permanência, usamos o “onde”.

58. Uso incorreto de particípios de verbos abundantes

Alguns verbos possuem dois particípios: um regular (geralmente terminado em “-do”) e um irregular. Os regulares são utilizados com os verbos “ter” e “haver” e os irregulares com os verbos “ser”, “estar” ou “ficar”.

Portanto, por mais que pareça mais natural, a construção “o povo tinha eleito o presidente” está incorreta. O correto é “o povo tinha elegido o presidente” ou “o presidente foi eleito”.

Isso acontece com vários verbos, como limpar (limpado e limpo), aceitar (aceitado e aceito/aceite), soltar (soltado e solto), prender (prendido e preso), morrer (morrido e morto), gastar (gastado e gasto), ganhar (ganhado e ganho) e muitos outros.

Mas lembre-se! “Trazer” só tem um particípio, que é “trazido”. “Trago” é conjugação do verbo “tragar” (e seu particípio é “tragado”).

Verbo haver

59. Confusão entre “há” e “a”

Algumas pessoas confundem “há” e “a” em construções do tipo: “estamos a dois dias da cerimônia” ou “há dois dias aconteceu a cerimônia”. Para evitar essa confusão, basta lembar que “a” é uma preposição e “há” vem do verbo “haver” e pode ser substituído por “faz” (ou “existe”, “acontece”).

Observe: “o carro permaneceu faz um metro do acostamento” não faz muito sentido, certo? Então devemos utilizar a preposição: “o carro permaneceu a um metro…”.

Mas a frase “eles estão juntos faz três anos” está correta, portanto podemos dizer “eles estão juntos há três anos”.

60. Concordância do verbo haver

Sempre ouvimos que o verbo “haver” é impessoal, o que significa que ele não concorda com o sujeito. Isso realmente ocorre quando ele é sinônimo de existir, de acontecer, de ocorrer: “há três dias que ele não aparece”.

Mas não é sempre assim: em alguns casos a concordância se faz necessária. Por exemplo, quando ele é auxiliar de um verbo pessoal, ou seja, quando é sinônimo de “ter”: “eles haviam feito uma surpresa para ela”.

Lembre-se de que a maioria dos errinhos que apresentamos neste post parecem inofensivos mas são inoportunos, uma vez que interrompem o fluxo de leitura ou levam o leitor a entender algo diferente do que o autor quer dizer, quebrando a linha de raciocínio e atrapalhando a clareza do conteúdo.

Um texto claro, escrito cuidadosamente e revisado com calma é muito mais relevante para o leitor, uma vez que consegue estabelecer uma comunicação sem ruídos.

Na dúvida, reformule a frase ou dê um pulinho no dicionário (o que não leva nem dez segundos!). Você não quer apresentar ao seu leitor um texto confuso ou truncado, certo?

Fonte: Lívia Chaves

Dez dicas para elaborar um bom projeto de pesquisa de mestrado e doutorado

A elaboração de um projeto de pesquisa é uma das etapas do processo seletivo de mestrado e doutorado. A estrutura da proposta pode variar conforme o edital de cada programa de pós-graduação e universidade, mas, em geral, contém delimitação do tema e do problema de pesquisa, justificativa, metodologia sugerida, objetivos gerais e específicos, resultados esperados, revisão bibliográfica e previsão de cronograma, podendo o edital trazer critérios avaliados no projeto. Há também programas que requerem propostas de pesquisas abertas a novas explorações, e outros que solicitam o projeto após seis meses de aula. A seguir, confira dez estratégias para a elaboração da proposta, sintetizadas a partir da orientação de três professores de mestrado e doutorado da UFJF:

1 – Propor pesquisas que estejam relacionadas ao escopo do programa de pós-graduação

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Propostas de pesquisa precisam estar vinculadas à linhas de pesquisa para conferir unidade e identidade ao programa

“É preciso conhecer o programa de pós-graduação para o qual está se candidatando. Às vezes a proposta é boa, mas a pesquisa não se relaciona com o que é desenvolvido no programa, que tem de se preocupar com aderência [conjunto de pesquisas que confere identidade e unidade ao programa]. Se a proposta não dialogar, vai gerar problema mais à frente”, afirma a professora Iluska Coutinho, do Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFJF.

Em geral, propostas de pesquisa de mestrado fora do escopo desenvolvido no programa, no grupo de pesquisa ou mesmo pelo orientador podem sofrer resistência para serem aceitas. “Sem dúvida, isso dependerá do edital publicado. Porém, independentemente de edital e por minha limitação, somente consigo orientar alunos que desejam desenvolver projetos associados à minha temática de atuação” – diz Mateus Laterza, coordenador do programa de Pós-graduação em Saúde Brasileira.

2  – Cursar disciplinas antes de participar da seleção
Para conhecer melhor a área de estudo e o funcionamento do curso, a professora Iluska Coutinho sugere ao interessado cursar disciplinas isoladas – que tiveram vagas sobrando no semestre e aceitam inscrições de alunos externos. A seleção dessas vagas é realizada, em geral, semanas antes do início das aulas. Os créditos das disciplinas poderão ser aproveitados posteriormente.

3 – Indicar conhecimento crítico na revisão bibliográfica

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Projeto deve mostrar que há estudos anteriores ao proposto

“A revisão aponta que a pesquisa não surgiu do nada. Há estudos anteriores e podem haver questões em aberto”, ressalta Iluska. Nessa seção do projeto, são discutidos os principais conceitos e estudos relacionados ao objeto de investigação. Para Mateus Laterza, a bibliografia deve ser atual e revelante, e sua qualidade dependerá da leitura crítica do autor. A leitura dos principais artigos científicos publicados nos últimos anos e o conhecimento sobre estudos do grupo ou linha de pesquisa contribuem para a revisão.

4 – Apontar lacunas que serão preenchidas pelo  desenvolvimento do projeto

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“A originalidade e a relevância sustentam, em grande parte, a qualidade de um projeto”, afirma o professor Mateus Laterza

Uma das razões para a elaboração da pesquisa é suprir dúvidas existentes sobre o objeto de estudo. Para isso, é importante verificar limitações de estudos anteriores, indicar lacunas em análises ou apresentar novo enfoque sobre um tema. A partir da revisão, o candidato percebe se sua proposta de pesquisa já foi realizada e o que a diferencia das demais.

5 – Buscar referências fortes e dados atuais para justificar pesquisa

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Professora indica consultar revistas científicas de alto impacto

O candidato precisa convencer o programa de pós-graduação que sua pesquisa é relevante. A menção a dados de fonte confiável auxilia na argumentação. A vice-coordenadora do Programa de Pós-graduação em Química, Mara Rubia, aponta, como exemplo, a citação de  revistas científicas com alto grau de impacto.

6 – Elaborar perguntas claras e objetivas

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Perguntas precisam ser claras e objetivas, sem ambiguidade

Percebida e justificada a lacuna de conhecimento, o próximo momento é elaborar uma ou mais perguntas que, a princípio, guiarão o estudo. “Candidatos confundem tema e problema de pesquisa. O tema é onde a proposta se situa, mas deve haver um questionamento específico para ser respondido”, explica Iluska Coutinho. A indagação é que instigará a elaboração do trabalho. Para isso, ela deve ser específica, apontando o que pretende ser investigado, em linguagem clara e objetiva, sem ambiguidade. Outra opção é  trabalhar com uma hipótese a ser validada.

7 – Apontar objetivos específicos

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O objetivo deve estar diretamente ligado à lacuna de conhecimento

“Às vezes, recebemos projetos com objetivos muito gerais. É preciso indicar especificamente o que se vai fazer. Por exemplo, trabalhar a síntese de molécula de uma determinada classe de composto químico. Mas há várias classes. É preciso citar quais sintetizar, quantos pretende preparar, quais são as estruturas, para que o projeto fique mais pontual”, afirma a professora Mara Rubia. “O objetivo deve estar diretamente ligado à lacuna de conhecimento apresentada; caso exista mais de uma lacuna, existirá mais de um objetivo”, acrescenta Laterza.

8 – Apresentar metodologia coerente aos objetivos do estudo
O autor deve demonstrar as técnicas adequadas para alcançar cada tipo de resultado esperado. Análise de discurso e análise de conteúdo focam aspectos diferentes do objeto de estudo. Conforme a pesquisa, é preciso apontar quais equipamentos serão necessários, sabendo o que o programa dispõe. “Outro ponto importante é verificar se a pesquisa exigirá registro em comitê de ética”, alerta Iluska.

9 – Ter clareza sobre o tempo necessário para desenvolver a pesquisa

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O candidato deve considerar outras atividades além de aulas e elaboração de dissertação ou tese

Pode parecer óbvio, mas a pesquisa de mestrado deve ser estipulada para ser desenvolvida em 24 meses; e a de doutorado, em 48. O aluno deve considerar que o período não será dedicado apenas à elaboração da dissertação ou tese, mas também à participação em congressos, organização de eventos científicos e outras atividades. A proposta deve ser realista com o tempo disponível para ser dedicado ao projeto.

10 – Verificar se haverá financiamento para a pesquisa
A proposta é analisar o comportamento de determinada espécie de golfinhos no litoral de Santa Catarina? Há realmente recursos para a viagem, acomodação, coleta, equipamentos e aparelhos de análise? Verifique se haverá recursos pessoais ou externos e se o edital exige que o proponente informe a fonte de financiamento.

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Fonte: UFJF Notícias

Saiba como evitar o plágio em trabalhos acadêmicos

Ao escrever um artigo acadêmico, trabalho de conclusão de curso ou outra pesquisa, o autor deve tomar cuidado para não cometer plágio – prática mais comum e tênue do que se imagina. No Brasil, a detecção da prática já levou desde a recusa de artigos à perda de titulação do pesquisador.

O plágio mais grotesco é a cópia integral de um trabalho, mas há a versão parcial, ou com tópicos sutis, que podem ser detectados por programas e sites.  No plágio, o texto é, em geral, uma mistura de cópias de parágrafos e frases de outros autores ou de ideias e conceitos parafraseados sem a citação da fonte original. Quadros, tabelas e imagens copiadas sem a correta indicação da fonte ou autorização também se encaixam nesse exemplo.

Como evitar
Conforme o professor do Mestrado Profissional em Educação Matemática da UFJF, Marco Aurélio Kistemann, para que o plágio não ocorra, o estudante deve solicitar orientação de professores e pesquisadores mais experientes. “A escrita de um texto científico decorre de pesquisas prévias em várias fontes, primárias ou não, de confirmação dessas fontes e do exercício de escrita.  Nesse sentido, ser orientado por quem já aprendeu a escrever e citar corretamente faz parte do percurso que possibilitará a gênese de pesquisadores éticos e responsáveis por produzir pesquisas originais ou derivadas de outras”.

Participar de palestras, ler cartilhas, tutoriais e acessar sites sobre os prejuízos de pesquisas copiadas são outros métodos que podem auxiliar. A leitura constante, o exercício da escrita e a avaliação frequente entre os pares também contribuem para produções autorais.

A partir das orientações, o autor deve seguir as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Dicas rápidas para evitar plágio _ Arte Paula Januzzi / UFJF

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Autoplágio

Outro tipo de plágio que tem ganhado discussão é a cópia de conteúdo publicado pelo próprio autor. Um exemplo é usar um artigo enviado para uma revista científica e depois reescrevê-lo para ser apresentado em um congresso.

Há, ainda, a produção “salame”, quando se usa trechos de um artigo e os distribui em outros trabalhos. “Essa modalidade ainda vem sendo apurada pelas agências, e quando é detectada o autor recebe parecer solicitando mudanças no texto”.

O autoplágio pode visar “aumentar o número de artigos publicados, buscando maior visibilidade na comunidade científica e obter financiamentos para pesquisas” – afirma Kistemann. Conforme o docente, existe ainda a invenção ou manipulação de dados para forçar um resultado.

Ética e violação

Na UFJF, não há sanção disciplinar ao plágio prevista especificamente no Regimento Acadêmico da Graduação, mas há o risco de punição. Cada programa de pós-graduação e unidade acadêmica possui orientações sobre o uso apropriado de normas e metodologias científicas. Constatado o caso, o falsário pode ser enquadrado no crime de violação ao direito autoral, no artigo 184 do Código Penal brasileiro.

“Em suma, é necessária uma revisão do próprio sistema, que muitas vezes contribui ao eleger somente o número de artigos publicados – sob o viés quantitativo – para a concessão de bolsas e benefícios financeiros para realização de pesquisas. O viés qualitativo também deve ser considerado, bem como outras produções poderiam compor o quadro para concessões”.

Programas

Existem diversas ferramentas, entre sites e programas gratuitos e pagos, que podem descobrir se alguma parte do trabalho foi plagiada, como TurnitinPlagius,  iThenticate, Plagiarism detect, Ephorus, Jplag,  Farejador de Plágio e DOC Cop. Neles há trabalhos cadastrados em mais de 12 idiomas, detectando o plágio mesmo que o trabalho original esteja em língua estrangeira ou em diferentes formatos, como arquivos de Word (doc), PDF e HTML.